''MEU SER VIVE NA NOITE E NO DESEJO. MINHA ALMA É UMA LEMBRANÇA QUE HÁ EM MIM''

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

NOVA MANIFESTAÇÃO DIA 8 DE JANEIRO!
MANIFESTAÇÃO CONTRA O AUMENTO DOS PORCOS PARLAMENTARES!

Nova manifestação!
Dia 8 de janeiro (sábado)!
16 HORAS!
Na entrada do Metrô da Rodoviária!!
Procurem vir de PRETO.
Vamos IR!
Não deixem o sentimento de JUSTIÇA morrer!
Se simplesmente esquecermos deste aumento, ano que vem eles aumentam de NOVO!

E você?! Vai ficar aí sentado!? Ou vai lutar pelo que é seu!?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Monsieur Binot

Olha aí, meu professor,
Também no ar é que a gente encontra o som
E num som se pode viajar
E aproveitar tudo o que é bom

Bom é não fumar
Beber só pelo paladar
Comer de tudo que for bem natural
E só fazer muito amor
Que amor não faz mal

Então, olha aí, monsieur Binot
Melhor ainda é o barato interior
O que dá maior satisfação
É a cabeça da gente, a plenitude da mente
A claridade da razão

E o resto nunca se espera
O resto é próxima esfera
O resto é outra encarnação
Sei que somos novos
Porque existe o passado
Óbvio que não só em nós
E as outras formas?
E as outras letras?
E as demais expressões?

Elegia - Caetano

Deixe que minha mão errante
Adentre atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre

Essas meninas...

Elas dançam.
Chico canta ''Sai, sai, sai! A barriga do homem não é sua casa. Dor. O destino do homem não é sua cor''.
O riso das meninas é só felicidade e ainda bem, pois existe criança triste nessa idade. Alexandra tampa os ouvidos para não ouvir o sermão. Diz que não está com frio e nem vai sentir, e, se sentir, não está nem aí. Tatá se apaixonou a primeira vista. Canta como se soubesse, canta como voa um beija-flor. Abre os braços e brada ''me apaixonei''. Ah essas meninas...

Jorge (meu pai)
28/06/1996


Encontrei isso escrito em uma agenda dele a poucos minutos. Felicidade pura.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Livre do desassossego

O entardecer cheira liberdade. Talvez seja por causa da sensação que me dá quando saio do e, vendo as cores do crepúsculo, sinto o vento bater no meu rosto. Nesse momento penso em tanta coisa, só não penso em supostos problemas. E isso traz um sentimento de liberdade.
Prefiro o aroma do romã, o vôo do beija-flor, uma criança dormindo, o som de flautas e risos...O céu pontilhado de estrelas

Alexandra M.

Sem Mais

Sem mais
palavras minhas
versos simples
coisas fúteis
Sem mais
falar de mim
homem bicho
coração mal
homem ruim
falando de bem
falando de quem?
vontade de gritar
com lápis na mão
brinco de ser dor
Sem me entregar
Sem teatro
Sem luzes
Sem mais

Alexandra M.

Festival Phono 73





Festival realizado em São Paulo (Brasil) em 1973, em plena ditadura militar por diversas personalidades musicais da época contra a ditadura.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Abaixo-assinado contra o aumento nos salários do presidente da República, ministros e parlamentares.



A Câmara aprovou na tarde desta quarta-feira (15/12/2010) o projeto de decreto legislativo, de autoria da Mesa Diretora da Casa, que equipara os salários de presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, senadores e deputados aos vencimentos recebidos atualmente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal: R$ 26.723,13

Atualmente, deputados e senadores têm subsídios de R$ 16,7 mil. Presidente e vice recebem salário mensal de R$ 11,4 mil e ministros de Estado, R$ 10,7 mil. Os reajustes variam de 62% a 140%.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Flores Murchas - Patativa do Assaré


Depois do nosso desejado enlace

Ela dizia, cheia de carinho,

Toda ternura a segredar baixinho:

— Deixa, querido, que eu te beije a face!

Ah! se esta vida nunca mais passasse!

Só vejo rosas, sem um só espinho;

Que bela aurora surge em nosso ninho!

Que lindo sonho no meu peito nasce!

E hoje, a coitada, sem falar de amor,

Em vez daquele natural vigor,

Sofre do tempo o mais cruel carimbo.

E assim vivendo, de mazelas cheia,

Em vez de beijo, sempre me aperreia

Pedindo fumo para o seu cachimbo.


Pintura de dupla exposição

Pakayla Biehn é uma pintora fotorrealista com uma peculiaridade interessante: suas obras não reproduzem a estética fotografias comuns, mas sim a de imagens com efeito de dupla exposição.

Munida de tinta à óleo e acrílica, além de uma boa dose de talento, a artista reproduz em suas telas esse instigante efeito fotográfico, alcançado pela exposição de um negativo duas vezes. Não por acaso, a série de pinturas leva o nome de Double Exposure.

/por Zupi








quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Parte I

Alguns dos álbuns maravilhosos e que acho que todo mundo deveria escutar pelo menos uma vez na vida.
Pura apreciação, música da melhor qualidade!!
Depois vou postando mais, tem muitos.








terça-feira, 14 de dezembro de 2010

''Cantar como um passarinho
De manhã cedinho
Lá na galha do arvoredo
Na beira do rio
Bate as asas, passarinho
Que eu quero voar
Bate as asas, passarinho
Que eu quero voar
Me leva na janela da menina
Que eu quero amar
Me leva na janela dela
Que eu quero espiar
Me leva na janela da menina
Que eu quero cantar
Cantar como um passarinho
De manhã cedinho
Lá na galha do arvoredo
Na beira do rio''


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha…

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
C. Meireles

Independe

Não ligo
Não penso
Nem vou atrás

Sigo na frente
Tocando meu próprio barco
Fazendo minha própria festa
Sempre aberta
Quem quiser que venha

Recebo com sorrisos
Gosto do perigo
Que venha o desconhecido não vivido
Ando sempre suscetível, preparada

Não é por experiência
Talvez, sobrevivência
Mas olhando o céu azul de maio
Nessa vida, meu amigo
É tudo recompensa.

Alexandra M.

Grã-Ordem Kavernista

Quero ir
Quero um pouco
Espera

Quero ir
Pela primavera
Quero ir
Seu pensar já era

Quero ir
Quero quero quero
Quero quero quero
Quero ir

O sol daqui é pouco
O ar é quase nada
A rua não tem fim
Eu volto prá Bahia
Ou para Cachoeiro de Itapemirim

Pelo cheiro
Parece que te conheço a tempos
Cheiro que me persegue
Segue constantemente
Me inspira
Instiga
O imaginar dos seus pensamentos
Me faz querer
Uma ínfima parcela dos seus encantos
Chega assim, imparcial
Por fim
Me entrego a sorte

Alexandra M.

Pelos Olhos

Olhos nem claros nem escuros
Olhos que mudam com a necessidade
Um olhar de homem
Nos olhos de mar

A tarde, eles se encontram
Nas dobras do lençol
Trégua, disfarce, entrega
Pouco a pouco me envolvo para sempre

Ausência de sentido nos fatos
Sem anseios
Sem motivos
Um olhar de homem no meu quarto
Pronta para me doar

Alexandra M.

Hilda Hilst

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Trailer Jards Macalé Um Vampiro na Porta Principal

“Viajar, para que e para onde
.......Se a gente se torna mais infeliz
.......quando retorna? Infeliz
.......e vazio de situações e lugares
.......desaparecidos no ralo,
.......ruas e rios confundidos, muralhas, capelas,
.......panóplias, paisagens, quadros,
.......duties free e shoppings...”

Waly Salomão

domingo, 12 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Teatro Oficina com direção de Zé Celso

Mulher não pode gostar de futebol, mulher não pode ir pra boteco, não pode sair sozinha só para se divertir, não pode preferir a companhia masculina, não pode gostar de política, não pode questionar, não pode ganhar mais, não pode sustentar uma casa, não pode ser solteira, não pode criar filhos sozinha, não pode gostar de filmes de ação nem ficção científica, não pode dormir com quem ela quiser, não pode ter amante, não pode xingar, não pode falar de sexo, não pode falar alto, não pode jogar pôquer nem sinuca, não pode ter várias tatuagens, não pode sair pra beber, usar bermudas masculinas ou roupas curtas, não pode ter celulite, não pode ter vontade de transar com seu parceiro o dia todo e ficar frustrada se isso não acontecer, não pode se masturbar, não pode tomar iniciativa nem desafiar o que lhe é imposto.


E vamos parar com esse pensamento ultrapassado. O tempo passa e as coisas passam com ele. Espero que certos tabus também passem, mas só vai passar se as mulheres pararem de se preocupar com coisas efêmeras.


''E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis''

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ser solteiro por Andre Nwmann

“Primeiro: solidão não é abandono. Um é de dentro pra fora e o outro de fora pro dentro. Sim, o mundo é erótico. Típico pensamento de solteiro… Está comprovado porque inventei agora: solteiros são mais erotizados portanto fazem mais sexo. E, claro, os solteiros inventaram o sexo. Vai discutir? Discussão é invenção dos casais.”

Voluntariamente surdo


Num dia, a maior felicidade do mundo,
no outro, as piores duvidas.
Cada momento continua sendo o maior
e mais intenso de todos.

Calem-se todos. Que cada som silencie
Hoje eu quero o silencio profundo
quero o descanso do sono pesado.
No momento não me interessam os sábios,
nem os imbecis.

Agora quero apenas o canto do mudo.
Hoje sou voluntariamente surdo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Manda,caru
Flor de mandacaru pra mim
Que é pra botar no xaxim
Em cima da televisão

Só pra guardar de recordação
Do tempo da meninice
Pois de recordar carece
Como uma prece sem fim
Manda, caru
Flor de mandacaru pra mim

Pelo correio ou de caminhão
Num barco do são francisco
Peço que você se apresse
Que a saudade é ruim
Manda, caru

Flor de mandacaru prá mim
Manda, caru
Uma flor dessa do sertão
Uma flor de cardo
Pra alegrar meu coração

domingo, 28 de novembro de 2010

''Você pinga pra cantar, e eu sonho
até o sol
digo,
com o sol
pôr o sol no sonho''

André Newmann

sábado, 27 de novembro de 2010

''Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.

Mas porque a amo, e amo-a por isso

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem por que ama, nem o que é amar...

É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve''.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Em homenagem ao dia do músico.




domingo, 21 de novembro de 2010

Ela

''A novidade é a alma do negócio, a fonte do prazer. No amor e em outras volúpias congêneres. A fonte do prazer não é o instinto, é o conhecimento.
E ela, ela é basicamente sete. São sete mulheres todos os dias. Cansativo, mas muito interessante. Um malabarismo que principia na palma da minha mão.
Eu diria que é magia, calmaria, aristocracia, acrobacia, euforia, nostalgia, anarquia e alegria''.
Trip

sábado, 20 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pensamento momentâneo

A novidade é a alma do negócio, a fonte do prazer. No amor e em outras volúpias congêneres. A fonte do prazer não é o instinto, é o conhecimento.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vem cá

vamos pra outro lugar
onde a gente possa
se dar, fumar e aumentar o som
gritar, vai ser muito bom
sem hora para acabar
pirar debaixo do edredon
pintar e borrar baton
sem medo de alguém chegar
vem cá, vem cá
vem cá, vamos lá

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Som macio e gosto colorido


Madrugada. Chego em casa e ainda com toda a euforia que a noite me trouxe, tentei escrever...se passavam mil coisas na minha cabeça, talvez culpa das incontáveis cervejas. As lembranças e as imagens vinham e voltavam, como em um filme. Ainda conseguia sentir o momento, mesmo da minha casa, do meu sofá...

Sentir a sensação de um show maravilhoso e de músicas que me atravessavam a alma como se fossem minhas, como se já tivessem sido minhas...Eu sentia, sentia tudo, todas elas, palavra por palavra, e cada arrepio justificava; fazia valer...Sentir o balanço da van indo para algum lugar... Ver luzes e carros de um lado e do outro, ver. E mais do que ver, escutar. Fechar os olhos e escutar a voz nua e crua te cercando por todos os lados... Sem barulhos, sem gritaria, sem caixas de som. Só eles e suas vozes.

Entre as cervejas e cigarros, Chico Buarque e um céu lindo.

ps: Camila, amo você, kkkkkkk


sábado, 13 de novembro de 2010


A cantora Ceu é um dos melhores nomes do projeto de Herbie Hancock, Imagine Project. Ele uniu nomes do pop, como Pink, e Dave Matthews Band para versões de clássicos do cancioneiro mundial, como os Beatles e Peter Gabriel.

Veja a tracklist.

Imagine (with Seal, Pink, Konono No l, Jeff Beck, Oumou Sangare, India.Arie, Lionel Loueke and Marcus Miller)
Don’t Give Up (with Pink and John Legend)
Tempo De Amor (with Céu)
Space Captain (Derek Trucks and Susan Tedeschi)
The Times, They Are A’ Changin’ (The Chieftains, Toumani Diabeté, Lionel Loueke and Lisa Hannigan)
La Tierra (with Juanes)
Tamatant Tilay / Exodus (Tinariwen and Los Lobos)
Tomorrow Never Knows (with Dave Matthews)
A Change is Gonna Come (with James Morrison)
The Song Goes On (with Anoushka Shankar, Chaka Khan, Wayne Shorter).

Minha inspiração ...


O que me inspira
Não é o sol ou lua
Muito menos o amor!

O que me inspira...
São as pessoas,
Suas vontades e desejos...
O imaginar dos seus pensamentos...

O que me faz suspirar
É poder pensar
No que pode sentir
Como será que vai reagir

O que inspira e suspira ...
Esta na natureza humana
Na hipocrisia do fingir não sentir.
Na mentira de dizer não sou.
No teatro representado
Homens pederastas,
Mulheres prostitutas!
Todos poligâmicos
Pelo exibicionismo
Que todos praticam
Sejam entre quatro paredes
Ou com milhares de corpos.

O que me encanta
E me faz cantar
É apenas desfaçatez que temos
Para ser quem quisermos ser.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Silêncio

antes de existir computador existia tevê
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
o silêncio
foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu
astro pelo céu em movimento
e o som do gelo derretendo
o barulho do cabelo em crescimento
e a música do vento
e a matéria em decomposição
a barriga digerindo o pão
explosão de semente sob o chão
diamante nascendo do carvão
homem pedra planta bicho flor
luz elétrica tevê computador
batedeira, liquidificador
vamos ouvir esse silêncio meu amor
amplificado no amplificador
do estetoscópio do doutor
no lado esquerdo do peito, esse tambor

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Leminskiando

A profissão de Paulo Leminski era a poesia, era a linguagem, era a guerrilha. Guerrilha contra o quê? Contra a morte da vida em vida.

Uhn. Acho que Leminski, polaco-zen, preferiu seguir o velho lema: melhor morrer de vodca do que virar um velho brocha.

Eu penso que Leminski já estava falando sobre tudo isso nesse poema aqui, escrito há mais de 25 anos, talvez 30:


um dia

a gente ia ser homero

a obra nada menos que uma ilíada

depois

a barra pesando

dava pra ser aí um rimbaud

um ungaretti um fernando pessoa qualquer

um lorca um éluard um ginsberg

por fim

acabamos o pequeno poeta de província

que sempre fomos

por trás de tantas máscaras

que o tempo tratou como a flores


Eu acho que sei o que ele quis dizer. E Leminski se foi. Nós continuamos aqui.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dedos e dores

Ontem, depois de viagens de carro sem fim com destino a várias festas diferentes, em pleno êxtase de comemorações, acabaram fechando meu dedinho na porta do carro. Como estava de madruga e eu não podia gritar, fui abrindo a porta lentamente - o que potencializou meu sofrimento - , até desprende-lo e depois, quase chorar de tanta dor. Então hoje, ainda com sequelas e muita dor, lembrei desse texto da Martha Medeiros, que começa exatamente assim: “Trancar o dedo numa porta dói.”

A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.


Martha Medeiros

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

The Beats - A Graphic History

A obra retrata a vida dos escritores que fizeram parte da geração beatnik, movimento cultural surgido nos anos 1940 e 1950 que revolucionou a literatura mundial. Além de Pekar, vários outros roteiristas e ilustradores colaboraram para a obra, como a escritora Trina Robbins e os desenhistas Peter Kuper e Ed Piskor.

“The Beats”, que já estava sendo negociado pela Saraiva, ainda não tem previsão de lançamento, mas deve chegar às livrarias ainda neste semestre.




Imaginam minha reação ao ver esse livro?? Já encomendei e conto os dias para tê-lo em meus braços...

35 anos do assassinato de Vladimir Herzog

sábado, 23 de outubro de 2010

Só Dez Por Cento


Só Dez Por Cento é Mentira é um original mergulho cinematográfico na biografia inventada e nos versos fantásticos do poeta sulmatogrossense Manoel de Barros.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Constante Mente

Quero poder me entregar
sem medo de errar
quero viver com você
sem me arrepender
quero uma vida tranquila
com muito amor e família
quero deitar no seu peito
com fidelidade e respeito
quero sentir sua boca
naquele movimento me deixando louca

Me envolva em sua vida
sem me deixar ferida
me ame intensamente
que eu te amarei constantemente.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mantenho

amando
amor
viver
sentir
pirar
tocar
caso
acaso
um beijo
um manto
o quente
o encanto

te amo
me ama
te elevo
dentro
de mim!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Elifas Andreato - A Cores da Resistência

Na música, foram mais de 350 capas de discos, boa parte transformada em objetos de arte. No cinema, filmes nacionais ganharam destaque com seu traço no cartaz. Na literatura, traduziu em ilustrações a prosa densa e inquieta de Clarice Lispector e Murilo Rubião. E, no teatro, um de seus trabalhos mais expressivos, o cartaz da peça Mortos Sem Sepultura, foi apreendido pela Polícia Federal em 1977. Apesar de preferir a alcunha de artesão, Elifas Andreato é um dos mais importantes artistas gráficos do país.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia''

Tira-Gosto de Poeta

Tira-Gosto de Poeta from Danielle Vaz on Vimeo.


Tendo como cenário as dificuldades impostas pela Ditadura e a necessidade de se construir uma identidade local, o documentário resgata a atuação da geração do mimeógrafo em Brasília durante a década de 7O e início dos anos 80. Essa reconstituição foi feita, primordialmente, a partir da captação de materiais de arquivo e de entrevistas realizadas com oito personagens atuantes da poesia marginal brasiliense, acadêmicos e agitadores culturais: Nicolas Behr, Luís Turiba, Luiz Martins, Chacal, José Jorge de Almeida (meu pai) , Paulo José da Cunha, Ivan Presença, e por fim, Joanyr de Oliveira, ex-presidente da Associação Nacional de Escritores.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sossegue coração

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

P. Leminski

Poemas de saliva

Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais

Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução

Ricardo Kelmer

Pecado mortal


Poemas eróticos são maliciosos

sensuais e deliciosamente perigosos....
tal como assistir a filmes pornográficos
para acordar monstro hibernando...

Fico a pensar o que busco em ti
enquanto rabisco desejos,
anunciando anseios
ao invés de lascar-te um beijo
e entregar – aos teus carinhos –
meus seios.

Sem rimas fáceis, sem situações previsíveis.
Numa intensa crise corre,
irresistível, meu frisson por ti
incontrolável fúria à tua procura
horas a fio, preenchendo meus
pensamentos...

Meu amor um momento!
Isso é loucura?
Paixão?
Paranóia?
Que situação!
Que confusão de sentimentos...


Neste instante,
essas partículas minúsculas,
tornam-se uníssonas.
Transformam-se num conjunto
em busca de delícias
da mais pura e gostosa malícia.

De corpo furacão, de mulher ebulição,
de um ser fragmentado em inúmeras personas:
Uma Eva expulsa do paraíso
A agregada mais bonita da Senzala
Uma cortesã em homenagem a cidadão ateniense
Um anjo lascivo, um demônio bandido
Uma princesa enclausurada em torreão
Uma Galla sem Dali

A cometer crimes, a purgar sacrilégios
a pregar teu credo
A sofrer em segredo, este mais cruel degredo
que é estar longe de ti...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ce n’est pas une pipe: quando as obviedades deixam de serem óbvias.

Pra mim, a maior invenção do homem não foi a roda ou o fogo, mas a sociedade. Sociedade não nesse sentido redutível a grupos de pessoas, embora não deixe de ser condição essencial, e sim como uma complexa rede de estratificações hierarquizantes no qual se criam, formulam, formam esse todo coeso. Entendo que o homem busca a vida em sociedade para fugir de certas questões que em coletividades se tornam “inquestionáveis”, pois encontram aderências suficientes de pessoas que compartilham das mesmas idéias e instituições que apaziguam certas dúvidas hiperbólicas. É, é isso mesmo caros leitores, (faço minhas as palavras de Humberto, será que temos caros leitores? Enfim...) a sociedade como função ontológica, e não como um corpo cooperador, solidário de indivíduos que ao estabelecerem relações sociais, se beneficiam mutuamente. Esperem um pouco, pois também concordo com esta última assertiva. As contrariedades são propositais, vejamos se consigo me expressar melhor em ilustrações.

Um cientista social entende que as instituições sociais proporcionam aos indivíduos "o porquê" deles existirem, e, portanto, tornarem a existência justificável. Até certo ponto, compreendo que o papel do cientista social é entender os exageros (opressões) que essas instituições submetem à maioria desses indivíduos através das ideologias e, desse ponto de vista, se constitui num desregulamento das instituições. Exemplo polêmico: a religião é muito importante para a vida em sociedade, mas o domínio de uma religião sobre outras, ou o predomínio em determinadas áreas que tendem a prevalecer a vontade unilateral da religião dominante já se torna agravante que põe em xeque uma saudável estabilidade social. É claro, esse papel do cientista social também estão voltados para o campo da política, aspectos culturais e etc, que devem se estudados, analisados e denunciados no tom que Bourdieu apregoava, como um esporte de combate.

Em linhas gerais, lutamos pela Sociedade Igualitária, que o bem e o bom sejam de alcance de todos, e distribuídos a todos. Contudo, às vezes penso que fazemos um papel antinômico, pois, ao mesmo tempo que lutamos em prol da Sociedade, a iludimos, pois tudo não passa de artificialidades, e me reporto novamente a minha primeira frase do texto, quando dizia que a sociedade é a maior invenção do homem porque é um constructo tão bem acimentado, tão bem formulado, que até mesmo grande parte dos intelectuais dessa área se entregam a essa reificação. O trabalho, a vida em família, dentre outras coisas, são tão arraigadas à nossa personalidade social que as obviedades deixam de ser óbvias, ou como diria um artista françês: Ce n’est pas une pipe! (Isto não é um cachimbo)




domingo, 26 de setembro de 2010

É você que tem
nas tuas mãos
meu choro de mulher

Tem meu ver
O meu sonhar
E o que quiser

É você que é
o homem meu
Meu grande amor da minha vida

É tão teu
O gosto da minha
mordida

É você que tem
o colo que eu
deito e descanso

E é tão teu
Meu coração
Aflito e manso

É você que tem
Na pele a luz
Cor da coisa mais segura

Que eu já vi
Formar na mácula
escura

/Lu Bertoldi

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vi e Ver

Viver no presente é a base, a chave para seguir bem na viagem
Evita o desgaste desnessessário durante o seu intinerário no planeta...

Sigo na batida, a frequência desse pensamento não pode ser captada com perfeição por um receptor enferrujado pelos padrões do dia-a-dia...